A polêmica da logo da Apple com a silhueta de Jobs

A polêmica da logo da Apple com a silhueta de Jobs

São Paulo – O dia 7 de outubro começou e terminou com a notícia da morte de Steve Jobs e a repercussão de homenagens ao legado do ex-CEO e fundador da empresa pelos quatro cantos do globo. A mais famosa delas, e mais polêmica sem sobra de dúvida, foi a viralização quase que instantânea do logo da Apple com a silhueta de Jobs, cuja criação era então atribuída ao estudante de design de Hong Kong, Jonathan Mak.

Na mesma velocidade com a qual a ilustração se alastrou pela imprensa e redes sociais, espalharam-se também rumores de que o desenho não era uma criação original do estudante, mas sim do premiado designer britânico conhecido sob a alcunha Raid71, Chris Thornley. O desenho teria sido originalmente criado por ele como um projeto pessoal em maio de 2011 e publicado em veículos especializados em design, como o Creative Review. As diferenças entre o logo divulgado pelo estudante e o que foi criado por Thornley existem, mas é impossível negar que as ideias por trás das duas ilustrações são de fato similares.

Enquanto Mak, já ciente da confusão, publicava uma nota de mea culpa em seu blog, admitindo que Thornley poderia ter criado a logo antes dele, o designer britânico deixava o hospital no Reino Unido, depois de um transplante de medula, em mais uma etapa na sua luta pessoal contra o câncer, que já dura três anos.

Fundador de uma loja virtual, Raid71 Emporium, dedicada à venda de suas ilustrações e cujo lucro é revertido para o apoio a pessoas com câncer, Thornley decidiu colocar à venda em sua página um número limitado de exemplares da ilustração mais famosa das últimas semanas.

Thornley conversou com EXAME.com sobre o episódio e sobre o papel, por vezes capcioso, que a internet tem na divulgação de trabalhos artísticos. Elegante em suas respostas, o designer cuja ideia original da logo é atribuída, contou que ainda não entrou em contato com o estudante e que a única função da ilustração é inspirar.

EXAME.com – Como foi o processo de criação da logo?

Chris Thornley – Eu desenhei a logo em Maio de 2011, como projeto pessoal. Ela sempre esteve no meu site e foi publicada em veículos como o Creative Review, por exemplo, muito antes da morte de Jobs. A proposta era celebrar o fato de que uma pessoa, mesmo com câncer, ainda estava na ativa e olhando positivamente para o futuro. Escolhi desenhar em preto e branco simplesmente por estarem em acordo com o estilo da Apple.

Exame.com – O que acha do infeliz episódio de ter outra pessoa divulgando um desenho extremamente similar ao seu?

Chris – Não creio que Mak seja um “copiador”. Com tantas pessoas trabalhando em desenhos para homenagear Jobs e sua vida, inevitavelmente, alguém iria chegaria a essa mesma ideia. Acho que ele acabou se vendo numa situação muito comum entre os designers, mas desta vez foi aos olhos do público.

Mas ele foi honesto desde o começo, abrindo o espaço para um debate que considero importante e deve levar o crédito por isso. No fim das contas, os dois desenhos foram criados com propósitos diferentes.

Exame.com – Crê que, atualmente, ainda é possível criar alguma coisa de fato nova ou ela será sempre uma cópia ou referência muito próxima do trabalho de outro artista?

Chris – A internet pode ser capciosa. Precisamos dela para promover um trabalho, mas, ao mesmo tempo, nos colocamos em uma posição vulnerável. Acredito que é possível que duas pessoas tenham a mesma ideia. No entanto, as motivações por trás de cada uma serão sempre diferentes. Sim, críamos coisas novas, mas com frequência reinventamos o antigo.

E design também é o que o seu cliente exige, algumas vezes ele pode ser original e outras pode ser um conceito desenvolvido com base, ou mesmo requisitos, da empresa. Muitas vezes também, design tem que ser uma referência de algo que o publico já conhece e tem certo apego emocional.

Exame.com – Você é um designer premiado e de renome no Reino Unido. No que e em quem se inspira na hora de criar um design?

Chris – As pessoas sempre trabalham com o que as inspiram, é daí que grandes conceitos, ideias e invenções nascem. Eu, particularmente, uso como inspiração tudo o que me faz rir. Artistas como David Carson, Ralph Stedman e Monty Python influenciam meus desenhos

Fonte: Revista Exame

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